Entrevista

Em termos estéticos prefiro ambientes intemporais, que sejam difíceis de rotular a uma época específica.

Há quanto tempo está ligado ao mundo da decoração e como se interessou pela área?

Estou ligada ao mundo da decoração há sensivelmente 6/7 anos, talvez mais, se contarmos com o tempo em que me comecei a interessar pela área e por tudo o que envolve a estética de ambientes. Desde que tenho consciência da minha existência, lembro-me de estar envolvida em tudo o que fosse criar, passar da imaginação à conceção. Dizer que desde pequena sempre soube que queria ser designer de interiores não é verdade. Mas posso dizer que certos filmes que vi ao longo da minha infância e adolescência deixaram um vinco na minha memória por causa dos seus incríveis cenários, e podem muito bem ter contribuído para a decisão de estudar para esta profissão e, como consequência, me tornar Designer de Interiores.

Quais são, para si, os aspetos mais importantes de uma decoração?

Sem dúvida o cliente, é em torno dele que giram todas as decisões e escolhas. Depois há uma preocupação sempre presente em todo o processo criativo com o conforto e funcionalidade dos espaços, que correspondam sempre às necessidades de quem o vai habitar.

Onde procura inspiração para a realização dos seus projetos decorativos?

A minha inspiração passa por várias plataformas, que não só as da minha área. Gosto de estar sempre atenta e manter‐me atualizada sobre tudo o que se passa – na moda, na tecnologia, na música, em todas as formas de arte desde a fotografia à pintura – gosto de passar algumas horas a navegar na Internet, a pesquisar sobre novos designers, novos materiais, novas invenções e criações. E, no final, acho que toda essa procura constante acaba por me influenciar conscientemente, por reconhecer isso é que não me canso de o fazer. Posso dizer que é uma inspiração mutante, que está constantemente a tentar ultrapassar-se a si mesma e consequentemente, a mudar.  

Fale-nos um pouco do seu processo criativo?

O meu processo criativo passa por algumas fases, a primeira começa logo de maneira inata quando conheço o cliente, ao mesmo tempo que ouço a sua explicação, começo a delinear mentalmente hipóteses e soluções relativas ao que ele me apresenta. De seguida, há uma parte mais prática, onde faço estudos e pesquisa de peças até chegar a uma conclusão que tanto me agrade a mim como ao cliente.

E como é que se desenrola o processo de trabalho, desde o momento em que é contactado pelo cliente até terminar o projeto decorativo?

Depois de conhecer o cliente, as suas necessidades e o espaço em questão, começo por fazer vários esboços e estudos em planta, até chegar à composição ideal. Segue-se a escolha de materiais, equipamento, revestimentos, mobiliário e têxteis e a sua introdução em 3D, que atualmente é fundamental, pois esta ferramenta aproxima-se bastante do resultado final e o cliente tem uma melhor perceção do que é proposto.

Depois de uma apresentação e aprovação da parte do cliente, damos início às obras e encomendas que, consoante a dimensão do projeto, serão mais ou menos morosas. O desfecho de um projeto dá-se após todos os objetivos inicialmente definidos estarem concluídos e quando o cliente se encontra satisfeito com a concretização.

Prefere particularmente um estilo de decoração ou trabalha com vários?

Tenho obviamente o meu gosto, mas trabalho com vários. Enquanto profissional desta área tenho de ter a versatilidade e a capacidade de trabalhar bem os vários estilos, pois um cliente nunca é igual ao outro e querem todos sempre tipos de decoração diferentes, como é natural. Procuro sempre guiá-los dentro do estilo que escolheram, para não caírem no exagero e manter o estilo equilibrado.

No geral, com que estilo de decoração se identifica mais?

Sou bastante simples, gosto de ter os elementos básicos e necessários para o meu conforto e bem-estar. Em termos estéticos prefiro ambientes intemporais, que sejam difíceis de rotular a uma época específica. Mas, se tivesse de escolher um, seria o Neo Vintage.

Qual é o espaço da casa que mais gosta de decorar e porquê?

É difícil escolher, qualquer que seja o espaço, seja ele maior ou menor, o grau de dificuldade é o mesmo e de desafio também. Dá-me bastante prazer decorar quartos de criança. São os melhores clientes, a imaginação deles não tem fim e ver as caras de surpresa deles ao verem o seu novo espaço é impagável!

Para si, o que está in e o que está out em termos de decoração?

Não costumo seguir tendências, e como gosto de manter um estilo intemporal sempre que me seja possível, é difícil definir. Posso dizer que estou a dar cada vez mais atenção às madeiras naturais e lacados com cores fortes. Ter uma peça com um padrão forte dá bastante carisma a um espaço, passa tudo por saber conjugá-la com o contexto. Por outro lado, há materiais que por ter usado várias vezes, já deixei de os usar com tanta frequência ou pelo menos evito, como os cromados e os lacados brancos. Mas posso dizer com muita certeza que, o que está completamente out é não solicitar um profissional da decoração para projetar a sua casa.

Qual é a sua imagem de marca, ou seja, existe alguma cor, detalhe ou peça que utilize sempre nas suas decorações?

Tenho peças que gosto muito e no princípio, quando comecei a trabalhar, punha-as em quase todos os projetos, mas com o amadurecimento profissional, acabei por fazer uma triagem e começar a colocá-las apenas em determinados projetos e para determinados clientes.

Não sei se tenho uma imagem de marca, óbvio que para além das necessidades e gosto do cliente acabo sempre por incutir no projeto o meu gosto pessoal, pois é por isso também que o cliente me procura. Mas há um fio condutor em quase todos os meus projetos que acaba por identificar o meu trabalho, que é a predominância do branco com fortes apontamentos de cor.